Desoneração da folha: quem ainda pode se beneficiar desta medida?

Você já parou para calcular quanto um funcionário realmente custa para a sua operação além do salário líquido que cai na conta dele? Para muitos empresários, o susto vem na hora de fechar o mês e encarar a guia do INSS Patronal. Aqueles 20% sobre a folha de pagamento são, muitas vezes, o peso que impede uma nova contratação ou o investimento em maquinário. É exatamente nesse gargalo que a desoneração da folha de pagamento atua, mas o cenário mudou drasticamente nos últimos meses e a confusão sobre quem ainda tem esse direito é geral. A ideia central da desoneração, tecnicamente chamada de CPRB (Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta), é simples: em vez de pagar 20% sobre os salários, a empresa paga um percentual menor (entre 1% e 4,5%) sobre o seu faturamento bruto. Para setores que empregam muita gente, mas têm uma margem apertada, essa troca é a diferença entre o lucro e o prejuízo. O cabo de guerra jurídico e o que ficou decidido Se você acompanhou o noticiário recentemente, viu um verdadeiro “vai e vem” entre o Governo Federal, o Congresso e o STF. Após muita incerteza, chegamos a um acordo de transição. A desoneração total, como conhecíamos, está com os dias contados, mas ainda oferece um fôlego importante para 2024.

Atualmente, 17 setores da economia permanecem beneficiados. Estamos falando de áreas estratégicas como: Confecção e vestuário; Construção civil e obras de infraestrutura; Fabricação de veículos e autopeças; Tecnologia da informação (TI) e TIC; Transporte rodoviário de cargas e passageiros; Comunicação. Se a sua empresa está inserida em um desses nichos, você ainda pode optar pela CPRB este ano. No entanto, o planejamento tributário precisa ser refeito agora, pois a partir de 2025 começa a “reoneração gradual”. O governo e o legislativo pactuaram que a alíquota patronal sobre a folha voltará aos poucos: 5% em 2025, 10% em 2026 e 20% em 2027. Um cenário prático: vale a pena para todo mundo? Muita gente comete o erro de achar que a desoneração é sempre vantajosa. Não é. Imagine uma empresa de TI com poucos funcionários altamente qualificados e um faturamento altíssimo devido a contratos internacionais. Se ela optar por pagar sobre o faturamento (CPRB), o imposto pode acabar sendo muito maior do que os 20% sobre a folha enxuta. Por outro lado, pense em uma confecção têxtil com 150 costureiras. A folha de pagamento é o maior custo da operação. Para essa empresa, pagar 2,5% sobre a receita bruta costuma ser infinitamente mais barato do que arcar com a contribuição previdenciária tradicional. O segredo aqui não é apenas “seguir a lei”, mas fazer a conta comparativa mês a mês. O fator “Municípios” e o impacto indireto Um ponto que poucos empresários notam, mas que afeta o ecossistema de negócios, é a desoneração para pequenos municípios. Cidades com menos de 156 mil habitantes também tiveram redução na alíquota patronal. Por que isso importa para você? Porque prefeituras com mais caixa conseguem honrar pagamentos de fornecedores e manter a roda da economia local girando, o que beneficia diretamente o comércio e os prestadores de serviço da região.

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